16/06/2015

O Tempo

Nosso tempo, nossa maior riqueza, nunca pode ser recuperado ou reaproveitado, mas pode ser gasto. O tempo serve como um ácido: ele tira todas as nossas camadas, as corrompendo, as destruindo, as queimando, até estarmos cansados, devastados e com medo. Então ele termina seu trabalho e retira a última camada, a mais dura e resistente, a dos maus sentimentos e maus pensamentos, mas quando termina com isso, é como se estivéssemos nus. Finalmente aparece muitas vezes pela primeira vez, e outras é uma surpresa até para a própria pessoa, a nossa real face, sem máscaras, sem mentiras, sem esconderijo, somos nós. Estamos finalmente bem. É tão prazeroso esse bem estar que nos faz derramar algumas lágrimas, mas o problema está aí... nos vemos sem camadas, sem escudos ou armaduras, nós somos facilmente feridos, facilmente mortos e podemos até mesmo não gostar de sermos o que somos. Talvez o tempo seja o lustrador de diamantes, mas ao mesmo tempo o destruidor de rochas.

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